Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Sinto saudades daqueles dias em que me conseguia perder do tempo, sem olhar para o relógio e sem sentir desassossego. As cartas, agora, não passam de pedaços de papel amarelecido, as palavras já nada dizem. Os sentimentos também vão perdendo a cor. Com o passar do tempo tudo parece distante, cada vez mais me estranho e chego até a ter medo de mim. Não sei onde vivo. A casa continua por habitar, está frio. Sempre precisei de pouco para me sentir viva mas os dias passam e já não me perco das horas, sei sempre que dia da semana é. Canso-me de ter que vestir-me sempre, canso-me de me esquecer cada vez mais de mim. Naquela noite as luzes, só as luzes e o barulho dos seus olhos, parecia despir-me com o olhar, com a boca, com os braços, com o cheiro. Naquela noite poderia ter-me perdido do tempo. Depois decidi deixá-lo ir, ou então foi ele que decidiu não me apanhar. Era bonito, o mais bonito que conheci, mas eu nunca quis um homem para enfeitar a casa. Tudo o que quero é muito amor e um pouco de chocolate. As pastilhas de mentol ou melancia iriam enjoar-me.

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Letrinhas de Cetim